4 filmes que falam sobre tempo e/ou espaço

23/03/2017

Desde que nos mudamos para o mesmo apartamento (em breve falaremos mais sobre isso!), temos aproveitado muito o tempo que temos juntos e ver filmes tem sido uma das coisas que mais fizemos nesses últimos dois meses. O ritmo diminuiu um pouco desde que as minhas aulas começaram, mas mesmo assim sempre escolhemos algo novo pra assistir nos finais de semana.

Percebemos que a maioria das nossas escolhas foram filmes que abordavam a questão do tempo e/ou espaço e isso não foi proposital. Grande parte do que assistimos mostrava o universo, ou um atronauta, ou um et, ou simplesmente bugava nossos cérebros com aquela famigerada viagem no tempo. Selecionamos nossos 4 favoritos:


Sete Minutos Depois da Meia-Noite
(A Monster Calls, 2016) | trailer
Sua mãe está com uma doença grave, seu pai não te acha tão importante, você não tem amigos e vive sendo agredido fisicamente pelos valentões do colégio. Essa é a vida de Conor, que já aos 13 anos não possui nada que o faça gostar da realidade. 

Até que uma noite, exatamente às 00:07, ele recebe a visita de um monstro-árvore-contador-de-histórias. O monstro passa a visitá-lo sempre no mesmo horário, narrando aventuras e lembrando-o que, ao fim da terceira história, o garoto lhe contaria a sua, sem omitir nada. 

É um filme que aborda os nossos medos mais profundos: a perda de pessoas que amamos, o tratamento indiferente que recebemos das pessoas ao nosso redor, a solidão e várias outras angústias que exigem de nós muito esforço e coragem para superá-las. 

Eu dei uma viajada monstra (rere), mas o Vini tentou me explicar o que ele entendeu e eu meio que entendi. Mesmo assim, eu teria que assistir novamente pra captar melhor o que acontece no final, mas não considero um filme dificílimo de compreender. Além de tudo, as imagens são muito bonitas. O Vini se encantou pelas duas primeiras histórias que o monstro narra ao menino, que são animações com efeitos que simulam aquarela. 


A Chegada
(Arrival, 2016) | trailer
Era pra ser mais um dia comum para a professora universitária especialista em linguística, Louise Banks, mas logo ao chegar na sala de aula ela repara certa inquietação nos poucos alunos que haviam comparecido. Doze países noticiaram a presença de objetos flutuantes estranhos em seus territórios e a notícia de que haviam extraterrestres na Terra se propagou rapidamente.  

Ninguém sabe a real intenção dos visitantes e a Dra Banks é convocada pelo exército norte-americano para tentar estabelecer comunicação entre os humanos e os extraterrestres. 

Uma das coisas que gostamos no filme é a forma física como os ETs são caracterizados, sem aquele clichê que remete à figura humana. [SPOILER] Outra coisa que a gente curtiu foi o fato de o filme não ser mais um ataque-alienígena-do-mal com extraterrestres vilões que querem dominar a Terra, coisa que fez a gente amar, também, o filme Train to Busan (traduzido pro Brasil, tragicamente, como Invasão Zumbi), que não foca na batalha entre os humanos e os zumbis em si, mas na humanidade que há no meio da treta toda. [/SPOILER].

Se ficou difícil de entender direito o filme anterior, esse eu precisei refletir muito mais - e confesso que ainda estou em processo de reflexão. A Chegada definitivamente não é um filme fácil pra assistir de boas antes de dormir. É preciso estar atento ao enredo inteiro, especialmente no final. É uma baita viagem, mas muito interessante - e, mais uma vez, com imagens incríveis.


Perdido em Marte
(The Martian, 2015) | trailer
Foi um dos filmes que mais gostei de ver, dentre os citados. Antes de assistir, pensei que fosse meio sem graça, mas estava completamente enganada.

Imagina se você fosse astronauta e viajasse com a sua equipe até Marte. Porém, por conta de uma tempestade violenta, vocês precisam retornar à Terra com urgência. Eis um problema: você desapareceu no meu da tempestade após ser atingido por um objeto e seus colegas, pensando que você havia morrido e sem te acharem, voltam pra Terra sem você.

Essa é a história do astronauta Mark Watney, que acorda sozinho em um planeta a mais de 200 milhões de quilômetros da Terra.

A gente gostou muito da maneira realista como foram mostradas as tentativas de sobrevivência de Mark. Até as coisas mais inusitadas pareceram coerentes para nós (não somos cientistas e nem sabemos polinômios avançados, mas mesmo expectadores leigos no assunto sentem quando o negócio tá muito viajado - vide o filme Passageiros).

Nem preciso contar a agonia que senti com essa coisa de tempo vs espaço. Cara, a ajuda que ele precisava demoraria cerca de 4 anos pra chegar até lá. Sou muito curiosa com essas temáticas que envolvem o universo e só não pego disciplina optativa sobre isso na universidade porque no primeiro x² eu já ferrava meu IA.

Isso me leva a pensar, também, no quanto esses astronautas precisam ser inteligentes em várias áreas ao mesmo tempo. Se eu fosse o protagonista, ia passar as duas horas de filme chorando nas areias de Marte, sem ao menos conseguir tirar de mim o objeto que havia me atingido.

Doutor Estranho
(Doctor Strange, 2016) | trailer
Não costumo gostar de filme de super-herói (com a raríssima exceção de Watchmen), mas o Vini insistiu pra gente assistir e eu aceitei. É um filme bem fantasioso, como eu previ, mas achei legal. 

O longa tem como protagonista um neurocirurgião renomado, dono de um ego inabalável. Após sofrer um acidente de carro, Dr Stephen Strange lesiona gravemente as mãos, seu principal instrumento de trabalho. 

Desiludido pela lenta - e improvável - recuperação, o médico conhece uma pessoa que havia encontrado a cura para seus problemas físicos em um templo chamado Kamar-Taj, situado em Katmandu (Nepal). É aí que ele resolve ir até o tal do templo e ver qual é desse negócio de cura-sem-medicina. 

Lá, o cara conhece uma monja fodona que lhe apresenta uma outra realidade, bem diferente de qualquer experiência palpável. Cético dos pés à cabeça, o médico vê-se diante de um novo universo que o sujeitará a abdicar de todo seu ceticismo em prol de algo maior, muito além da cura das suas mãos.

O Vini gostou bastante do filme, principalmente porque ele ama essas coisas de mago, magia e essas paradas de ensinamentos de templos, filosofias e derivados. Ele também não é fanático por filmes de super-herói, mas ele achou o Dr Strange muito carismático e fodão, sem contar em todo o rolê de estudar para conquistar os poderes.


***
Além desses filmes, assistimos Matrix (o primeiro) juntos. Ele já havia assistido e sempre insistiu muito pra eu ver também. Eu gostei bastante da viagem, mas tenho certo receio de assistir os próximos (geralmente quando um filme é bom e vem o II, não costuma sair coisa muito boa haha). Mas verei. 

Também tivemos uma experiência péssima assistindo ao recente filme "Passageiros", mas eu achei esse post que explica tudo o que eu gostaria de falar sobre ele. Se vocês quiserem assistir, façam isso antes de lerem o post (mas eu dúvido muito que não necessitem ler essa crítica maravilhosa depois, porque as coisas erradas nesse filme são de doer).

Desde que nos mudamos para o mesmo apartamento (em breve falaremos mais sobre isso!), temos aproveitado muito o tempo que temos juntos e ver filmes tem sido uma das coisas que mais fizemos nesses últimos dois meses. O ritmo diminuiu um pouco desde que as minhas aulas começaram, mas mesmo assim sempre escolhemos algo novo pra assistir nos finais de semana.

Percebemos que a maioria das nossas escolhas foram filmes que abordavam a questão do tempo e/ou espaço e isso não foi proposital. Grande parte do que assistimos mostrava o universo, ou um atronauta, ou um et, ou simplesmente bugava nossos cérebros com aquela famigerada viagem no tempo. Selecionamos nossos 4 favoritos:


Sete Minutos Depois da Meia-Noite
(A Monster Calls, 2016) | trailer
Sua mãe está com uma doença grave, seu pai não te acha tão importante, você não tem amigos e vive sendo agredido fisicamente pelos valentões do colégio. Essa é a vida de Conor, que já aos 13 anos não possui nada que o faça gostar da realidade. 

Até que uma noite, exatamente às 00:07, ele recebe a visita de um monstro-árvore-contador-de-histórias. O monstro passa a visitá-lo sempre no mesmo horário, narrando aventuras e lembrando-o que, ao fim da terceira história, o garoto lhe contaria a sua, sem omitir nada. 

É um filme que aborda os nossos medos mais profundos: a perda de pessoas que amamos, o tratamento indiferente que recebemos das pessoas ao nosso redor, a solidão e várias outras angústias que exigem de nós muito esforço e coragem para superá-las. 

Eu dei uma viajada monstra (rere), mas o Vini tentou me explicar o que ele entendeu e eu meio que entendi. Mesmo assim, eu teria que assistir novamente pra captar melhor o que acontece no final, mas não considero um filme dificílimo de compreender. Além de tudo, as imagens são muito bonitas. O Vini se encantou pelas duas primeiras histórias que o monstro narra ao menino, que são animações com efeitos que simulam aquarela. 


A Chegada
(Arrival, 2016) | trailer
Era pra ser mais um dia comum para a professora universitária especialista em linguística, Louise Banks, mas logo ao chegar na sala de aula ela repara certa inquietação nos poucos alunos que haviam comparecido. Doze países noticiaram a presença de objetos flutuantes estranhos em seus territórios e a notícia de que haviam extraterrestres na Terra se propagou rapidamente.  

Ninguém sabe a real intenção dos visitantes e a Dra Banks é convocada pelo exército norte-americano para tentar estabelecer comunicação entre os humanos e os extraterrestres. 

Uma das coisas que gostamos no filme é a forma física como os ETs são caracterizados, sem aquele clichê que remete à figura humana. [SPOILER] Outra coisa que a gente curtiu foi o fato de o filme não ser mais um ataque-alienígena-do-mal com extraterrestres vilões que querem dominar a Terra, coisa que fez a gente amar, também, o filme Train to Busan (traduzido pro Brasil, tragicamente, como Invasão Zumbi), que não foca na batalha entre os humanos e os zumbis em si, mas na humanidade que há no meio da treta toda. [/SPOILER].

Se ficou difícil de entender direito o filme anterior, esse eu precisei refletir muito mais - e confesso que ainda estou em processo de reflexão. A Chegada definitivamente não é um filme fácil pra assistir de boas antes de dormir. É preciso estar atento ao enredo inteiro, especialmente no final. É uma baita viagem, mas muito interessante - e, mais uma vez, com imagens incríveis.


Perdido em Marte
(The Martian, 2015) | trailer
Foi um dos filmes que mais gostei de ver, dentre os citados. Antes de assistir, pensei que fosse meio sem graça, mas estava completamente enganada.

Imagina se você fosse astronauta e viajasse com a sua equipe até Marte. Porém, por conta de uma tempestade violenta, vocês precisam retornar à Terra com urgência. Eis um problema: você desapareceu no meu da tempestade após ser atingido por um objeto e seus colegas, pensando que você havia morrido e sem te acharem, voltam pra Terra sem você.

Essa é a história do astronauta Mark Watney, que acorda sozinho em um planeta a mais de 200 milhões de quilômetros da Terra.

A gente gostou muito da maneira realista como foram mostradas as tentativas de sobrevivência de Mark. Até as coisas mais inusitadas pareceram coerentes para nós (não somos cientistas e nem sabemos polinômios avançados, mas mesmo expectadores leigos no assunto sentem quando o negócio tá muito viajado - vide o filme Passageiros).

Nem preciso contar a agonia que senti com essa coisa de tempo vs espaço. Cara, a ajuda que ele precisava demoraria cerca de 4 anos pra chegar até lá. Sou muito curiosa com essas temáticas que envolvem o universo e só não pego disciplina optativa sobre isso na universidade porque no primeiro x² eu já ferrava meu IA.

Isso me leva a pensar, também, no quanto esses astronautas precisam ser inteligentes em várias áreas ao mesmo tempo. Se eu fosse o protagonista, ia passar as duas horas de filme chorando nas areias de Marte, sem ao menos conseguir tirar de mim o objeto que havia me atingido.

Doutor Estranho
(Doctor Strange, 2016) | trailer
Não costumo gostar de filme de super-herói (com a raríssima exceção de Watchmen), mas o Vini insistiu pra gente assistir e eu aceitei. É um filme bem fantasioso, como eu previ, mas achei legal. 

O longa tem como protagonista um neurocirurgião renomado, dono de um ego inabalável. Após sofrer um acidente de carro, Dr Stephen Strange lesiona gravemente as mãos, seu principal instrumento de trabalho. 

Desiludido pela lenta - e improvável - recuperação, o médico conhece uma pessoa que havia encontrado a cura para seus problemas físicos em um templo chamado Kamar-Taj, situado em Katmandu (Nepal). É aí que ele resolve ir até o tal do templo e ver qual é desse negócio de cura-sem-medicina. 

Lá, o cara conhece uma monja fodona que lhe apresenta uma outra realidade, bem diferente de qualquer experiência palpável. Cético dos pés à cabeça, o médico vê-se diante de um novo universo que o sujeitará a abdicar de todo seu ceticismo em prol de algo maior, muito além da cura das suas mãos.

O Vini gostou bastante do filme, principalmente porque ele ama essas coisas de mago, magia e essas paradas de ensinamentos de templos, filosofias e derivados. Ele também não é fanático por filmes de super-herói, mas ele achou o Dr Strange muito carismático e fodão, sem contar em todo o rolê de estudar para conquistar os poderes.


***
Além desses filmes, assistimos Matrix (o primeiro) juntos. Ele já havia assistido e sempre insistiu muito pra eu ver também. Eu gostei bastante da viagem, mas tenho certo receio de assistir os próximos (geralmente quando um filme é bom e vem o II, não costuma sair coisa muito boa haha). Mas verei. 

Também tivemos uma experiência péssima assistindo ao recente filme "Passageiros", mas eu achei esse post que explica tudo o que eu gostaria de falar sobre ele. Se vocês quiserem assistir, façam isso antes de lerem o post (mas eu dúvido muito que não necessitem ler essa crítica maravilhosa depois, porque as coisas erradas nesse filme são de doer).
Acho que o maior desafio de qualquer relacionamento - não só afetivos - é aceitar as pessoas do jeito que elas são. Talvez faça parte da nossa essência essa vontade de querer enquadrar todo mundo em nossos parâmetros, sejam eles grandes ou pequenos. Isso não significa que devemos nos acomodar nessa ideia. Aceitar as pessoas como elas são não é uma realidade: é um objetivo a ser trilhado.

A forma como nós lidamos com as pessoas muitas vezes é um reflexo de como lidamos conosco. Eu costumo me cobrar muito de ser 100% equilibrada, sabe, com as ideias em harmonia na minha mente e aquela sensação de paz interior intensa. Só que às vezes esse equilíbrio todo não depende só de mim e costuma ser difícil provar pra mim mesma que eu não preciso ser esse ser humano iluminado 24 horas por dia. Esse é só um dos exemplos das Manies que eu me forço para ser, mas eu sei que não sou. 

É natural criar expectativas sobre as pessoas. Não vou chegar aqui provando o contrário, porque não tem como. A gente vive num mundo que valoriza o futuro e que nos faz ter vontade de ter sempre mais - sempre queremos aprender algo a mais, comprar algo a mais, sentir algo a mais - e, no fundo, somos egocêntricos pra caralho. Refletimos nossas expectativas sobre nós e sobre o mundo em cima das pessoas com quem nos relacionamos. E quem sofre com isso é a gente. 

Tem vezes que a gente quer mudar alguém só pra se sentir confortável, sabe? Raramente é pensando na pessoa que queremos que mude. 

VAMOS AO EXEMPLO:
Tipo, quando a pessoa não curte balada, mas você, ao contrário, ama. Você insiste pra ela ir, mas ela nunca tá afim, afinal, ela não gosta desse tipo de rolê. Você se decepciona levemente. Certo dia, entretanto, ela resolve ir, pra tentar te mostrar que ela tá disposta a mudar. Faz um puta esforço pra achar que tá legal, mas depois de 2h você percebe que ela tá gritando por dentro como se dissesse "pelo amor de deus, alguém me tira desse lugar, socorro". Você acha um absurdo, afinal, o mais conveniente seria a pessoa estar felizona e pulando com você do início ao fim. E então, dias depois, vocês vão de novo em uma balada, já que você insistiu novamente e já deixou avisado que não vai aceitar que a pessoa fique cansada depois de 2h. Daí a pessoa fica lá pulando com você até o final, com um puta sorriso forçado na cara, querendo morrê. 
Mas o que importa é você fingir pra si mesmo que a pessoa não tá fingindo pra si mesma, não é mesmo?


Percebe como isso não faz sentido? No fim, você pode até fazer a pessoa vestir outras roupas, gostar de outros filmes, aprender a jogar vídeo-game com você, aprender a problematizar temas polêmicos na hora do almoço com você, gostar do mesmo tipo de música que você... mas de que tudo isso vale, se é forçado? Pra que moldar alguém pra te satisfazer dessa forma? Você gosta da pessoa ou gosta da ideia que criou dela - ou pior, da ideia do que você quer que ela seja? 

Estar namorando o Vini me faz aprender isso diariamente. É natural que a gente mude um pouco a personalidade quando pessoas intensas chegam em nossas vidas e nos agregam coisas boas. Eu comecei a ler HQ's por influência dele e ele começou a cozinhar por minha influência, mas no fundo, a nossa essência continua a mesma. Ele continua amando vídeo-game e tentando me explicar como ele matou o chefão e eu continuo amando problematizar a sociedade enquanto a gente come hambúrguer no Edson - quiosque que vende lanche no canal 5 com a praia, fica a dica! -, e saber que a gente continua com a personalidade/jeito que tinha antes de namorar é fantástico. Eu amo saber que o Vini nunca deixou de fazer algo que ele ama por minha causa, nem eu por causa dele... E eu amo mais ainda saber que a gente se sente confortável e muito à vontade pra continuar sendo quem a gente é, tendo a certeza de que nenhum de nós vai deixar de amar o outro por coisas que fazem parte de nossas essências.

Vamos superar. Se criar expectativas é inevitável, então bora tentar lidar melhor com essa realidade. Ninguém é obrigado a ser o nosso ser-humaninho-da-alegria-eterna.


arte por: henn kim
Todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida que namoro é algo difícil de lidar. No nosso caso nunca foi. Muitas pessoas já me perguntaram como a gente consegue se dar tão bem e PRINCIPALMENTE - e também a pergunta mais óbvia - como você aguenta ficar longe dela tanto tempo?

É lógico que não é uma coisa fácil de se explicar, mas o que eu posso dizer pros outros é que não tem tanto problema, afinal, a gente ainda se vê em alguns feriadões e nas férias. Porém, nesse texto vou contar direitinho como eu aguento esse tempo todo longe da Manie e também o loooongo caminho que me levou a dizer "caraca, eu sou tipo um canário que saiu da gaiola". Uma gaiola com nome. Ela se chama "Ciúmes".

Teve uma época, antes deu conhecer a Manie, que eu fiz uma amizade com uma menina e me apaixonei. Eu era muito besta naquela fase da vida, dei uma de Chorão e fiz "Tuuuuuuuuuuuudo erraaaaaaaaadooooo tam tam tam tam". Por que? Porque eu tinha ciúmes adoidado por coisas muito muito bobas, praticamente um sentimento de posse. Quer coisa mais besta que sentir ciúme de uma menina que você tá apaixonado, ainda mais quando vocês são melhores amigos há alguns anos?

Digo até hoje que perder uma amizade é uma das piores coisas que existe, mas com a amizade dela eu aprendi muita coisa que levo pra sempre hoje em dia, do que eu tenho que fazer de certo e de errado.

Depois de um tempo, num trampo de telemarketing, veio mais uma fase difícil de aprendizado. Mais loca do que sair de casa com uma mala pelo mundão a fora em busca de novas aventuras. As aventuras que eu vivi foram torturas, mas aprendi tanto quanto essas viagens de mochileiro.

Várias coisas doidas aconteceram, conheci gente de todo tipo e, no meio delas, uma menina com quem me relacionei. Percebi que ela tinha gostos parecidos que me atraíam, mas umas ideias que eu não concordava muito. Eu ignorei a parte das "ideias que eu não concordava muito" e meu modo bobão agiu de novo. Com ele ressurge o ciúme, como um camaleão que mudou da cor verde das folhas que se camuflou, pra um vermelho vibrante e irritante.

Porém agora era diferente: antes eu sentia que o ciúmes era só coisa minha, por ser um bobão. Dessa vez o ciúme que eu sentia parecia forjado pra que eu o sentisse. O que me corroeu ainda mais pelos motivos: 1) saber que estava sentindo ciúmes; 2) saber que não valia a pena ter esse sentimento; 3) não ter a certeza se realmente estava sendo forjado eu ter esse ciúme. Me preocupava se eu realmente estava lidando com pessoas que me faziam bem. E essa preocupação que me fez tomar decisões.

No dia que o meu contrato de aprendiz acabou, em 2014, eu enterrei tudo que tinha que enterrar daquele trampo. Sumi daqueles que me faziam mal, mas não enterrei as experiências que eu tive: levei a maior facilidade pra me comunicar pessoalmente e o aprendizado reforçado de que o ciúme não vale a pena e te corrói por dentro.

Logo depois de sair do trampo, fiquei com a Manie pela primeira vez e a história vocês já conhecem. Quando ela falou pra mim que não estava afim de relacionamentos sérios, eu pensei 3 coisas:

1) 5h de beijo sem descanso é intenso (na verdade esse nós dois pensamos);
2) eu estava sentindo a liberdade e o alívio de ter saído daquela empresa;
3) lembrei do meu eu antigo ciumento e possessivo pra chuchu.

Então, assim que nos despedimos, eu falei de coração aberto:

- Tudo bem se você não quer ficar mais vezes, ou até namorar. Eu vou entender.

A partir daquele dia, eu realmente me senti leve, sabe? Porque dei a liberdade pra ela também fazer o que quisesse e eu também ia fazer o que eu quisesse e todo mundo ia ser feliz. Não ia ter eu encheno o saco de alguém só pelo motivo "eu quero ficar com você mesmo que você não queira ficar mais comigo". Suavão! Me senti como um canário que acabou de fugir da gaiola.

Depois do meu aniversário, ainda em 2014, ficamos mais uma vez e aí numa conversa do whats eu pedi ela em namoro.

(Agora vô fazer que nem a Manie e colocar essa música pra ouvirem enquanto lêem! Depois se quiserem, leiam a letra, que complementa bem o meu sentimento com o começo do nosso namoro em setembro de 2014, até a Manie chegar na faculdade na metade de 2015.)

Ela aceitou, mesmo que a gente já soubesse que ela provavelmente se mudaria pra Floripa. A gente não sabia o que ia acontecer, mas deixou a vida levar a gente. Afinal, o que quer que acontecesse não impediria a gente de aproveitar pelo menos aqueles seis meses que ela ficaria em Santos, esperando as aulas começarem.

Em alguns momentos, ela comentou que talvez ficasse com outras pessoas eventualmente, principalmente quando se mudou. Ela avisou pra mim o que ia fazer, avisou que era pela incerteza do futuro, deixou tudo claro pra mim. A gente sempre foi muito sincero um com o outro e com o que sentíamos. Se eu prendesse ela, não faria sentido tanto pra mim quanto pra ela. Além disso, nós sentimos a mesma atração um pelo outro independente de ela ter ficado com pessoas naquela fase. "Ah, mas e se ela se apaixonasse loucamente por outra pessoa?". A gente seguiria nossas vidas. Eu ia chorar em posição fetal, obviamente, mas tem uma filosofa contemporânea - mais conhecida como "Minha Mãe" - que já diz... "Ninguém é de ninguém" nesse mundo, rapaziadinha.

Sabe... Passar por todo esses ciúmes gigantescos do passado me fez reparar o quanto é um sentimento que te faz muito mal. Te deixa com raiva, tristeza, às vezes chega ao ponto de te atingir fisicamente e te deixar doente. Doente de verdade! A ponto de seu sistema imunológico ficar fraco. Não vale a pena sentir algo tão ruim. Sei que a gente não é perfeito e que às vezes pode acabar sentindo essa coisa péssima chamada ciúmes, mas cabe a nós tentar bloquear isso - ou, sei lá, conversar com a pessoa sobre o que sentimos. É só ser transparente e expor seus sentimentos, conversando.

Antes de qualquer coisa, um relacionamento tem que ter amizade. Você não trata um amigo como posse. Isso é pelo menos uma das várias coisas que fazem com que eu e a Manie até hoje fiquemos juntos... Que faz com que eu não ligue pra onde ela vai, o que ela ta fazendo, e é o que me faz confiar nela nessas situações. Nós somos muito amigos e podemos contar um com o outro. Sempre foi assim, e vamos continuar assim. Sem gaiola nenhuma pra nos prender.

Curiosidade: é daí que vem o meu "apelido artístico" de Homem-Canário, e o apelido que dou pra Manie de Andorinha, o passarinho migratório.

Uma gaiola chamada ciúme

Escrito por: Vinícius Jacob
13/10/2016
Todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida que namoro é algo difícil de lidar. No nosso caso nunca foi. Muitas pessoas já me perguntara...

Conheci o Vini no cursinho, em 2012. Eu tinha ganhado uma bolsa e resolvi me matricular, mesmo sem saber ao certo que faculdade eu faria. Era uma época bem deprê da minha vida, por inúmeros fatores, dentre eles um relacionamento abusivo - que, obviamente, só descobri que era abusivo depois que ele acabou. 

Tristezas à parte, o Vini apareceu, de oclinhos redondos e todo animado falando sobre os jogos de vídeo game com monstros colossais. Ele passava as tardes nas mesas da cantina, lá no fundo do prédio, e eu comecei a sentar na mesma mesa que ele pra estudar. Entre conversas sobre dinossauros, músicas do Beirut, polinômios e balas de canela, a gente foi ficando próximo. 

Eu ainda não sentia um afeito a mais por ele, até que meu aniversário chegou e ele foi. Nesse dia, meu ex não tinha ido, por motivos que eu não lembro, e querendo ou não isso fez com que eu me aproximasse do Vini. No dia seguinte, a gente ficou trocando SMS (só tive meu primeiro smartphone alguns meses depois!) e aquilo me fez um bem danado. Não sabia explicar, mas a cada barulhinho que o celular fazia, meu coração disparava. Só que enfim, né, eu tava namorando. 

Dias depois, contei pro meu ex que eu tava gostando de outra pessoa. Foi péssimo porque ele me fez sentir a pior pessoa do mundo. Deixei aquilo guardado comigo, mentindo pra mim mesma que tinha sido somente um momento de ilusão/recaída ou sei lá o nome.

Os meses se passaram e no final de 2013, eu terminei meu relacionamento. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida e eu mal consigo descrever a sensação de liberdade que eu passei a sentir a partir daquele dia. Lembro que no dia seguinte, eu fui almoçar com a minha mãe num quilo ali no canal 1 e fiquei feliz por não precisar mandar mensagem pra ninguém avisando que eu ia sair, nem me precupar com a ausência que eu causaria naqueles 20 minutos na vida de outra pessoa. Finalmente eu respirei, depois de quase 3 anos. 

Depois de uns 4 meses focando totalmente em mim e na minha reconstrução enquanto ser humano, lembrei do Vini. Resolvi puxar assunto, mas ele meio que não deu bola - pelo menos não a atenção que eu queria, se é que vocês me entendem. Acabei descobrindo que ele tava envolvido com outra menina, daí fiquei meio bolada, mas deixei pra lá. Sem pensar em ficar com ele, resolvi me aproximar somente como amiga e pedi o endereço dele pra mandar um presente. Fiz um caderno artesanal que tinha a imagem de um velociraptor na capa com o rosto do Raul Seixas, duas coisas que eu sabia que ele amava. Ele gostou muito, principalmente porque nunca tinha recebido nenhum presente de amigos pelo correio. Mas ficou por isso mesmo.

Então eu tentei focar em outras coisas antes que aquele sentimento evoluísse e eu me fodesse, não é mesmo? Formei amigos no outro cursinho que eu fazia, comecei a sair à noite, tive meu primeiro porre, amanheci na praia bêbada com novos amigos, criei laços que duram até hoje com muitas pessoas e isso tudo me deixou muito feliz. Esse período da minha vida retratou a liberdade que eu tanto queria viver e que por 3 anos ficou enjaulada dentro de mim. Agora eu não tinha mais ninguém pra me aprisionar. Eu ficava com quem eu queria, a hora que eu queria e achava isso ótimo. Amor livre, gratidão, paz e amor. 

Eis que o Vini surge de novo em minha vida, dessa vez solteiro. Puxou uns assuntos aleatórios e [prepotência] eu logo saquei que ele me queria [/prepotência]. Eu tava numa fase bem não-quero-me-envolver, mas eu sabia que meu signo de gêmeos não correspondia ao meu sentimentalismo exacerbado. E, nesse momento, eu tava envolvida sentimentalmente com outra pessoa. 

Pausa para um leve comentário: SIM, nossa história foi criada na base dos desencontros. Deve ser por isso que amo Medianeras

Mesmo assim o Vini não arredou pé. Acho que ele sabia mais do que eu que aquelas coisas que eu sentia não iriam pra frente. E, num momento de angústia amorosa minha no whatsapp, ele me chamou pra tomar um vinho no pier - um lugar bem bonito lá de Santos, apesar de ser perigoso e termos sido assaltados lá meses depois. 

Foi numa segunda-feira,
dia 11 de agosto de 2014,
à tarde.

Nesse dia, mesmo sem vinho as coisas teriam acontecido. Depois de conversar sobre um monte de coisa, ficamos um do lado do outro olhando o pôr do sol. A garrafa de vinho já tava vazia. Ele falou que sempre tinha me achado uma pessoa muito legal. E nesse momento crucial, eu pensei: 

Se eu virar meu rosto alguns graus, vou beijar esse menino e isso pode fuder a nossa amizade ou mudar nossas vidas pra melhor. Eu virei. A gente se beijou por 5 horas seguidas. E parece que a nossa amizade continua intacta.

Eu ainda lembro da gente voltando de bike pela ciclovia e, antes de eu virar no canal 2 pra minha casa, ele falou que não se importava que eu continuasse ficando com outras pessoas. A primeira coisa que eu pensei foi 1) que menino doido e, logo depois, 2) meu deus, vou me apaixonar. 

É, não foi de repente que eu descobri que a liberdade que eu tanto prezava não estava diretamente relacionada ao número de pessoas que beijavam a minha boca. Foi um longo período até eu perceber que não queria mais ninguém além dele. 

Desde então, tivemos fases diversas em nosso companheirismo. Já "abrimos o relacionamento", já "terminamos", já nomeamos o que a gente tem de tantas formas diferentes que acabamos esquecendo que, na verdade, o que temos nunca deixou de existir. Desde o dia 11 de agosto de 2014, eu nunca deixei de beijá-lo. Mesmo quando eu falei que seria melhor a gente "não namorar mais, afinal, eu ia me mudar pra Floripa e começar a faculdade", as coisas não mudaram entre nós. Continuamos ficando. "Pera, a gente é só amigo... ai droga, te beijei". 

Até que resolvemos parar de nomear as coisas. Eu não tenho vontade de ficar com outras pessoas e ele também não. Mesmo quando a gente tá há 4 meses sem se ver e surge a oportunidade de dar um beijo em alguém, a gente sabe que não vai ser a mesma coisa do que ficar um com o outro. Quando eu percebi, ele tava ali só pra mim e eu só pra ele e, pela primeira vez depois de muito tempo, eu senti que a liberdade sempre esteve com a gente. Percebi que a vida me deu uma pessoa maravilhosa que me faz odiar as companhias aéreas por venderem passagens caras; que faz com que eu me sinta a pessoa mais linda do mundo todos os dias; que nunca me fez chorar; que teve a paciência mais admirável em nome do que sentia por mim; que destruiu a ideia que eu construí durante anos de que a gente sempre vai gostar de pessoas que nos fazem mal; que sempre me deixou à vontade pra ser sincera com o que eu sentia... que me faz acreditar que amor livre, na realidade, é pleonasmo

A fabulosa história de nós dois

Escrito por: Manie
09/10/2016
Conheci o Vini no cursinho, em 2012. Eu tinha ganhado uma bolsa e resolvi me matricular, mesmo sem saber ao certo que faculdade eu faria...