A fabulosa história de nós dois


Conheci o Vini no cursinho, em 2012. Eu tinha ganhado uma bolsa e resolvi me matricular, mesmo sem saber ao certo que faculdade eu faria. Era uma época bem deprê da minha vida, por inúmeros fatores, dentre eles um relacionamento abusivo - que, obviamente, só descobri que era abusivo depois que ele acabou. 

Tristezas à parte, o Vini apareceu, de oclinhos redondos e todo animado falando sobre os jogos de vídeo game com monstros colossais. Ele passava as tardes nas mesas da cantina, lá no fundo do prédio, e eu comecei a sentar na mesma mesa que ele pra estudar. Entre conversas sobre dinossauros, músicas do Beirut, polinômios e balas de canela, a gente foi ficando próximo. 

Eu ainda não sentia um afeito a mais por ele, até que meu aniversário chegou e ele foi. Nesse dia, meu ex não tinha ido, por motivos que eu não lembro, e querendo ou não isso fez com que eu me aproximasse do Vini. No dia seguinte, a gente ficou trocando SMS (só tive meu primeiro smartphone alguns meses depois!) e aquilo me fez um bem danado. Não sabia explicar, mas a cada barulhinho que o celular fazia, meu coração disparava. Só que enfim, né, eu tava namorando. 

Dias depois, contei pro meu ex que eu tava gostando de outra pessoa. Foi péssimo porque ele me fez sentir a pior pessoa do mundo. Deixei aquilo guardado comigo, mentindo pra mim mesma que tinha sido somente um momento de ilusão/recaída ou sei lá o nome.

Os meses se passaram e no final de 2013, eu terminei meu relacionamento. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida e eu mal consigo descrever a sensação de liberdade que eu passei a sentir a partir daquele dia. Lembro que no dia seguinte, eu fui almoçar com a minha mãe num quilo ali no canal 1 e fiquei feliz por não precisar mandar mensagem pra ninguém avisando que eu ia sair, nem me precupar com a ausência que eu causaria naqueles 20 minutos na vida de outra pessoa. Finalmente eu respirei, depois de quase 3 anos. 

Depois de uns 4 meses focando totalmente em mim e na minha reconstrução enquanto ser humano, lembrei do Vini. Resolvi puxar assunto, mas ele meio que não deu bola - pelo menos não a atenção que eu queria, se é que vocês me entendem. Acabei descobrindo que ele tava envolvido com outra menina, daí fiquei meio bolada, mas deixei pra lá. Sem pensar em ficar com ele, resolvi me aproximar somente como amiga e pedi o endereço dele pra mandar um presente. Fiz um caderno artesanal que tinha a imagem de um velociraptor na capa com o rosto do Raul Seixas, duas coisas que eu sabia que ele amava. Ele gostou muito, principalmente porque nunca tinha recebido nenhum presente de amigos pelo correio. Mas ficou por isso mesmo.

Então eu tentei focar em outras coisas antes que aquele sentimento evoluísse e eu me fodesse, não é mesmo? Formei amigos no outro cursinho que eu fazia, comecei a sair à noite, tive meu primeiro porre, amanheci na praia bêbada com novos amigos, criei laços que duram até hoje com muitas pessoas e isso tudo me deixou muito feliz. Esse período da minha vida retratou a liberdade que eu tanto queria viver e que por 3 anos ficou enjaulada dentro de mim. Agora eu não tinha mais ninguém pra me aprisionar. Eu ficava com quem eu queria, a hora que eu queria e achava isso ótimo. Amor livre, gratidão, paz e amor. 

Eis que o Vini surge de novo em minha vida, dessa vez solteiro. Puxou uns assuntos aleatórios e [prepotência] eu logo saquei que ele me queria [/prepotência]. Eu tava numa fase bem não-quero-me-envolver, mas eu sabia que meu signo de gêmeos não correspondia ao meu sentimentalismo exacerbado. E, nesse momento, eu tava envolvida sentimentalmente com outra pessoa. 

Pausa para um leve comentário: SIM, nossa história foi criada na base dos desencontros. Deve ser por isso que amo Medianeras

Mesmo assim o Vini não arredou pé. Acho que ele sabia mais do que eu que aquelas coisas que eu sentia não iriam pra frente. E, num momento de angústia amorosa minha no whatsapp, ele me chamou pra tomar um vinho no pier - um lugar bem bonito lá de Santos, apesar de ser perigoso e termos sido assaltados lá meses depois. 

Foi numa segunda-feira,
dia 11 de agosto de 2014,
à tarde.

Nesse dia, mesmo sem vinho as coisas teriam acontecido. Depois de conversar sobre um monte de coisa, ficamos um do lado do outro olhando o pôr do sol. A garrafa de vinho já tava vazia. Ele falou que sempre tinha me achado uma pessoa muito legal. E nesse momento crucial, eu pensei: 

Se eu virar meu rosto alguns graus, vou beijar esse menino e isso pode fuder a nossa amizade ou mudar nossas vidas pra melhor. Eu virei. A gente se beijou por 5 horas seguidas. E parece que a nossa amizade continua intacta.

Eu ainda lembro da gente voltando de bike pela ciclovia e, antes de eu virar no canal 2 pra minha casa, ele falou que não se importava que eu continuasse ficando com outras pessoas. A primeira coisa que eu pensei foi 1) que menino doido e, logo depois, 2) meu deus, vou me apaixonar. 

É, não foi de repente que eu descobri que a liberdade que eu tanto prezava não estava diretamente relacionada ao número de pessoas que beijavam a minha boca. Foi um longo período até eu perceber que não queria mais ninguém além dele. 

Desde então, tivemos fases diversas em nosso companheirismo. Já "abrimos o relacionamento", já "terminamos", já nomeamos o que a gente tem de tantas formas diferentes que acabamos esquecendo que, na verdade, o que temos nunca deixou de existir. Desde o dia 11 de agosto de 2014, eu nunca deixei de beijá-lo. Mesmo quando eu falei que seria melhor a gente "não namorar mais, afinal, eu ia me mudar pra Floripa e começar a faculdade", as coisas não mudaram entre nós. Continuamos ficando. "Pera, a gente é só amigo... ai droga, te beijei". 

Até que resolvemos parar de nomear as coisas. Eu não tenho vontade de ficar com outras pessoas e ele também não. Mesmo quando a gente tá há 4 meses sem se ver e surge a oportunidade de dar um beijo em alguém, a gente sabe que não vai ser a mesma coisa do que ficar um com o outro. Quando eu percebi, ele tava ali só pra mim e eu só pra ele e, pela primeira vez depois de muito tempo, eu senti que a liberdade sempre esteve com a gente. Percebi que a vida me deu uma pessoa maravilhosa que me faz odiar as companhias aéreas por venderem passagens caras; que faz com que eu me sinta a pessoa mais linda do mundo todos os dias; que nunca me fez chorar; que teve a paciência mais admirável em nome do que sentia por mim; que destruiu a ideia que eu construí durante anos de que a gente sempre vai gostar de pessoas que nos fazem mal; que sempre me deixou à vontade pra ser sincera com o que eu sentia... que me faz acreditar que amor livre, na realidade, é pleonasmo

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